quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Cênicas - Festival de Teatro, Dança e Audiovisual do Paulista - Edição 2015


Já estão abertas as inscrições para o Cênicas - Festival de Teatro, Dança e Audiovisual do Paulista - Edição 2015. O evento que acontecerá em Novembro desse ano, no Cineteatro Paulo Freire em Paulista - PE, recebe inscrições de Grupos teatrais, Grupos de Dança e Cineastas, até o dia 24 de Setembro de 2015.

Para ter acesso ao EDITAL e seus ANEXOS, entrem no endereço do Facebook: https://www.facebook.com/groups/462540570595164/

Outras informações: festival.cenicas@gmail.com
(81) 9.9920-3203 - Tim
(81) 9.9920-3486 - Tim

domingo, 15 de março de 2015

O MODELO ENGESSADO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL

RESULTADO DO PISA 2014 - PROGRAMA INTERNACIONAL DE AVALIAÇÃO DOS ESTUDANTES CHAMA A ATENÇÃO POR ÍNDICES BAIXOS E POR COLOCAR O BRASIL EM 58o. LUGAR NO RANKING GERAL

Fonte da Imagem: Google - www.google.com.br 

Em meados do segundo semestre de 2014, o Governo Federal divulgou os resultados do PISA - Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes, onde jovens de quinze anos, alunos de escolas da rede pública e privada, do 7º.  ano do fundamental, realizaram uma prova, cujo resultado tinha como objetivo identificar o nível de aprendizado da região. Foram 65 países selecionados, nos quais, o Brasil não obteve um bom resultado, tendo em vista que o mesmo ficou em 58º no ranking geral.
Alguns educadores e profissionais da área, manifestaram-se satisfeitos com o desempenho do nosso país, o que me causa espanto, tendo em vista que o nosso sistema de aprendizado ainda é engessado e possivelmente permanecerá nesse engessamento por muito tempo, levando em consideração não apenas os interesses políticos, mas, o econômico mesmo, já que as escolas particulares – em sua maioria – estão mesmo interessadas no retorno financeiro.
Para que o leitor tenha uma real noção do que estou afirmando, participei, como ouvinte, de uma feira de conhecimento, antiga feira de ciências – como era chamada há algumas décadas atrás, principalmente nas escolas públicas – em um colégio particular na região metropolitana do Recife, na última sexta-feira do mês de novembro do referido ano.
Na ocasião em que visitava os estandes, fui tomada por uma onda de decepção, principalmente ao perceber que aqueles jovens repetiam as mesmas coisas – literalmente – de vinte anos atrás, quando eu é quem estava na condição de aluna. Fiquei intrigada, e comecei instigando alguns desses alunos a me darem respostas menos “decorebas”, em vão. Todos, e não estou exagerando quando digo todos, insistiam em repetir exatamente aquilo que haviam decorado, ou que foram orientados à falar. Quando os perguntava algo, travavam, paravam e alguns até me diziam meio envergonhados “Desculpa, essa não é a minha parte”. Imediatamente me veio em mente Estudo Errado música de Gabriel o Pensador, que fez muito sucesso no início dos anos 1990: “... decorei, copiei, memorizei, mas não aprendi”.
Poucos dias depois, vendo os resultados do PISA e o Brasil lá, no ranking: que bonitinho! Tive a convicção de quão comercial é nossa educação. Os gestores não estão preocupados em instigar esses alunos a tornarem-se pensadores, futuros cidadãos capazes de discutir em qualquer fase de suas vidas, os problemas sociais, políticos, ambientais, em outras palavras, resumindo: jovens que não conhecem o passado na sua totalidade, apenas nas limitações dos livros didáticos (que trazem quase sempre as mesmas informações de décadas e décadas atrás, e creio não ser exagero dizer que da época da minha avó), e do ensinamento de profissionais que repetem aquilo que outros professores repetiram para eles, criando assim um ciclo “vicioso” no que concerne chamarmos de educação fundamental brasileira. Não se observa nesses estudantes a necessidade de buscar mais informações pertinentes ao que se estuda, mas sim, o comodismo, a coisa pronta e mastigada que é entregue para eles em sala de aula.
Lamento profundamente por isso, e como lamento! E devo admitir, vai Demorar e muito, e com “D” maiúsculo mesmo, o dia em que eu voltarei numa feira do “conhecimento” e de fato, o nome fará jus aos conteúdos apresentados por esses alunos.
Enquanto isso, o Brasil continuará assim, com essa visão retrógrada do que é uma rede funcional de ensino e achando interessante fazer parte de um ranking onde ele está praticamente nos últimos lugares, tendo uma das notas mais baixas, e achando que isso é a “evolução didática brasileira”. É, com certeza, pensando dessa maneira, a música daquele Gabriel, o pensador, continuará sendo tão atual, quanto era a mais de duas décadas atrás, quando meus filhos, provavelmente estejam tentando buscar um ensino de qualidade para os netos deles. Exagero? Prefiro deixar que vocês decidam.


Por: Vanusa Lima

Até eu te Encontrar – Graciela Mayrink

Uma envolvente história que mistura passado e presente, onde a magia é o elo


Imagem do Google: www.google.com.br

Ambientado num campus universitário, o romance conta a história de Flávia, jovem que perdeu os pais num acidente de carro quando tinha apenas cinco anos. Criada pelos tios numa fazenda do interior de Minas Gerais, ela decide morar sozinha quando passa no vestibular de agronomia pela Universidade Federal de Viçosa, mudando-se para a cidade logo em seguida.
            Carismática, amável, sincera e dona de uma personalidade e de um caráter inquestionáveis, Flávia faz amizade já no primeiro dia de aula. E assim, torna-se a melhor amiga de Felipe, Mauro, Gustavo e Lauren. E dentre os amigos, ela descobre de forma inesperada, sua alma gêmea, Luigi, um jovem perseguido pela paixão obcecada de Carla, uma jovem imatura, mimada e de difícil convivência, que carrega consigo a fama de ser uma bruxa.
Intrigas, romances, magias e revelações surpreendentes que vão transformar a vida de todos, onde a amizade e o amor indicarão o caminho. Para desvendar os mistérios que rondam a personagem principal e seus antepassados, Flávia conta com o importante apoio de Sônia, sua vizinha e dona da única loja de produtos exotéricos.
O livro é uma mesclagem do real com o imaginário, e trás capítulos não muito longos e com uma linguagem simples, bem jovem e até coloquial, o que facilita a leitura, principalmente daqueles que não mantém o hábito de ler. Uma boa dica aos nossos universitários, que com toda certeza sentirão bem familiarizados com algumas referências citadas na narrativa, como o RU – Restaurante Universitário, nos fazendo transportar para o mesmo ambiente dos estudantes mineiros.
 Até eu te Encontrar é o primeiro romance da carioca Graciela Mayrink, agrônoma formada pela Universidade Federal de Viçosa e mestra em fitopatologia pela Universidade Federal de Lavras, ambas em Minas Gerais. Esse livro já está em sua segunda edição, sendo o mesmo colocado dentre os mais procurados. 
Fica a dica para vocês leitores, e tenham todos uma excelente leitura!

Por: Vanusa Lima

ESPECIAL - O PRECONCEITO QUE FALA, É O MESMO QUE CALA

Um dos preconceitos mais praticados pela sociedade brasileira, é também o menos difundido

Imagem: Vanusa Lima
Talvez por ignorância ou displicência, as pessoas não se dão conta de sua gravidade e seguem no dia-a-dia com “brincadeiras” que nem sempre são bem quistas, principalmente por aqueles que sofrem com as referidas.
O preconceito linguístico existe, e isso é fato. E mais do que sua própria existência, o que pesa é o quanto ele incomoda a muita gente. Um incômodo silencioso que apenas poucas pessoas têm a consciência de suas consequências.
                  Por trazer desconforto para muitos, o tema preconceito é quase sempre evitado, deixando de lado suas sequelas muitas vezes avassaladoras. Um assunto que a maioria não gosta de abordar, porém vale lembrar, o quanto é importante que a sociedade discuta esse tipo de problema, e tente encontrar soluções para que suas vítimas consigam sair ilesas moralmente.
                  O que se entende por preconceito linguístico, está diretamente relacionado à fala. O indivíduo geralmente utiliza gírias, que são nada mais nada menos que marcas de pequenos grupos sociais, como skatistas, surfistas, classes que acabam possuindo um dialeto próprio e compreendido apenas por eles. Ou ainda, comunidades que representam determinadas regiões de um país, como no Brasil, por exemplo, onde possuímos cinco regiões das quais, seus nativos falam com características daquela localidade.
                  “O preconceito linguístico precisa ser reconhecido, denunciado e combatido, porque é uma das formas mais sutis e perversas de exclusão social”. Comenta o escritor, linguista e também professor da Universidade de Brasília, Marcos Bagno. Autor de mais de trinta livros, a maioria aborda o tema em questão. Um dos livros mais editado dele é o “Preconceito Linguístico: o que é, como se faz” da Editora Loyola.

Livro de Marcos Bagno- Imagem do Google

                  O que as pessoas não imaginam, é o quanto as vítimas sofrem com tudo isso, e passam a ter suas vidas transtornadas, muitas perdendo até o sentido de continuar existindo. Esse tipo de problema é sofrido por uma grande maioria, desde crianças à adultos. Não existe uma escolha de raça ou cor. Existe a certeza de contrariar um próximo, apenas porque ele fala “diferente” dos demais.

                  Embora algumas pessoas apresentem algum tipo de transtorno psicológico por conta do preconceito vivido, há aquelas que nada sentem, levando na brincadeira. Isso geralmente acontece com pessoas que não se incomodam com os tais rótulos dado por quem pratica o preconceito.
                  As principais vítimas do preconceito linguístico são no geral, pessoas que não pertencem àquela região, e quando chegam, são criticadas, humilhadas ou sofrem com as gargalhadas alheias, o tal do deboche.
                  Uma pessoa ao falar “oxente”, “visse”, “arretado” e outras mais, é facilmente identificado como nordestino, e a depender de onde esteja, pode ser visto com olhos de preconceito. Já os sudestinos, por exemplo, ao invés de falarem a palavra “mesmo”, eles pronunciam “mermo”, trocando o “s” por “r”. Outra pronúncia diferenciada está na palavra mãe, que eles trocam por “maê”.

Selma Alves natural do Rio de Janeiro

                  A carioca Selma Alves, hoje com 40 anos, chegou ao Recife aos 31. Em conversa informal, ela desabafou. “Sofro todos os dias. Devido ao sotaque, ao falar diferente. Agora não ligo. Mas no começo era muito difícil tudo isso. Hoje as pessoas ainda riem do meu modo de falar”.  
                  Situações constrangedoras como as vivenciadas por Selma e tantas outras pessoas que necessitam mudar de estado ou de cidade, ocorrem em distintos lugares, e o que mais desperta a atenção é que o preconceituoso nada tem a ver com classe social ou econômica, pois independente do meio onde vive, o agressor, por assim dizer, pertence a quaisquer uma das esferas sociais, o que é lamentável, tendo em vista que para esse caso específico, nota-se que o acesso à informação não faz diferença alguma e o sujeito pratica o preconceito a todo custo.
                  Diferentemente da carioca Selma, o estudante Gabriel Corrêa, 18 anos, tinha apenas onze quando veio morar em Recife. Gabriel que é de Santa Catarina, disse que com ele foi diferente. “Meus colegas me respeitam. Não se incomodam porque eu falo um pouco diferente deles”, revelou.

Gabriel Corrêa de Santa Catarina, aos 11 anos

                  No caso de Gabriel, podemos até dizer que ele teve um pouco de sorte, tendo em vista que é quase impossível alguém passar ileso dos comentários e brincadeiras maldosos, referentes aos sotaques de pessoas oriundas de outras regiões, independente do local onde se esteja. Isso porque, os praticantes ou, os preconceituosos, geralmente costumam agir quando já têm certa intimidade com a vítima, claro que nem sempre isso é regra, mas no geral isso acontece, e por esse motivo, alguns entendem que não estão agindo com preconceito, mas, brincando com o amigo, o que seria de alguma forma, permitido.
Para a psicóloga Flávia L. Carvalho, 47 anos, o preconceito linguístico não passa de uma extensão de um problema ainda maior, denominado Bullying, onde na maioria das vezes as crianças são as maiores vítimas e o local escolhido por elas, é a escola. Dentre as possíveis situações de Bullying, podemos destacar: ofensa; humilhação; descriminação; exclusão, e outros.
                  Bullying ou não, a verdade é que qualquer tipo de preconceito gera violência, e a maneira de se falar diferente do outro, chama a atenção para a quantidade de brigas que acontecem dentro das escolas. É cada vez maior o número de crianças que se envolvem em desavenças, e o motivo muitas vezes é o mesmo: “Ficou dizendo que eu não sei falar direito, que eu sou burra. Que falo errado porque sou do interior, mas isso não tem nada a ver”.
                  E não tem mesmo não. Esse fato aconteceu com a dona de casa Priscila O. Silva, 24 anos. Quando estava com 16 anos, saiu da cidade de Itaíba, interior pernambucano para morar na capital. Entretanto, por falar com sotaques característicos do interior, acabou tornando-se vítima dos colegas de trabalho e até vizinhos. “Nós lá da cidade sabemos respeitar os outros, mas aqui o povo é diferente”. Desabafou a jovem, que acrescentou “Não me acostumo com esse lugar. Depois de sete anos sofrendo com a humilhação de alguns vizinhos, quero voltar para minha casa no interior.”  Embora o Brasil seja um país culturalmente hibrido, e que por essa razão, tantas pessoas de regiões distintas, consigam falar diferente, elas não estão prontas para lidar com o preconceito e muitas desenvolvem um comportamento violento. Principalmente aquelas que sofrem a ação. Mesmo não recebendo toda a atenção que deveria receber, alguns profissionais buscam amenizar o trauma de algumas vítimas.

Manoel Agostinho, pedagogo da cidade de Tupanatinga PE

                  O pedagogo Manuel Agostinho, 64 anos, dava aulas há vinte anos para crianças carentes no agreste pernambucano. Um dos trabalhos desenvolvidos por ele em sala de aula é o respeito ao próximo. “Aqui ensinamos que o ser humano deve sempre ser respeitado e mais ainda, deve respeitar o seu semelhante. E o mais importante, saber conviver com as diferenças”. Completou o pedagogo.
                  Para essas crianças, o trabalho sempre apresenta resultados satisfatórios. “Chega ser quase impossível ouvir uma criança destratar uma outra”. Contou radiante o professor. “A maioria dessas crianças são pobres, algumas passam por privações, mas o desempenho delas me incentivaram a continuar. Estava no caminho certo”. Refletiu o professor Manoel, que por motivos de saúde, precisou ausentar-se das salas de aula, lamentando por não poder dar continuidade ao seu trabalho junto às crianças.
                  Numa outra escola, desta vez na capital, as soluções não são tão diferentes das apresentadas pelo professor Manoel, no interior.
                  “Não é difícil trabalhar com as diferenças, nem ensinar uma maneira de respeitar seu semelhante. Aqui na escola, temos uma disciplina chamada Direito da Cidadania, que estimula os alunos a conhecer e respeitar os diversos “mundos” do ser humano”. Contou Lucimar Arouxa, coordenadora pedagógica em um colégio localizado na zona sul do Recife.
                  De acordo com relato de alunos, de fato esse tipo de preconceito não foi detectado por nenhum deles. “Estudo aqui faz muito tempo, uns cinco anos, desde que me lembro. Mas nunca presenciei nenhum menino brigando por causa de seu modo de falar”. Disse Jéssica Beatriz, estudante, 19 anos.
                  O Doutor em Direito e Comunicação e Semiótica e professor da PUC-SP, Gabriel Chalita, publicou um artigo na revista Construir Notícias, direcionada aos educadores. Onde ele fala que a falta de conhecimento sobre o assunto, leva à violência e a descriminação.
                  “Na escola, essa atitude pode ter resultados drásticos, porque leva a vítima, muitas vezes, ao isolamento e, até ao abandono”. Conclui Chalita.
                  Para evitar quaisquer danos psicológicos principalmente às crianças, é extremamente importante que os pais observem seus filhos e os ambientes que ele frequenta. Tanto aquele que agride quanto o que é vítima, ambos necessitam de atenção e ajuda de profissionais. É interessante também que busquem maiores informações com pessoas qualificadas.
                  O preconceito existe e causa estrago em muita gente, mas com diálogos constantes e interesse de familiares e amigos, muitos problemas podem ser evitados. Além do mais, vale ressaltar que não há mal nenhum em ser diferente. Somos diferentes, pensamos e agimos estranho ao próximo e ele a nós, e é justamente isso que nos tornam pessoas especiais.
                  Ser diferente não é o problema. O problema são as pessoas acreditarem que temos que ser exatamente iguais. E isso não é possível, pois se bem lembrarmos, somos híbridos culturalmente, temos gostos e pensamentos distintos, isso não é defeito. Imaginem se todos fossem exatamente iguais? Com certeza só teríamos uma única profissão no mundo, e todos pareceríamos meros robôs. Isso sim seria desconfortante.
                  Aceitar as diferenças é reconhecer o quanto podemos ser ecléticos em distintas áreas. E como mostramos isso? Começamos aceitando que a FALA do indivíduo deve ter voz e pode se expressar da melhor maneira que lhe seja conveniente, através da sua própria fala.


Matéria: Vanusa Lima
Fotos de Selma Alves e Gabriel Corrêa: Vanusa Lima
Foto de Manoel Agostinho: Acervo Pessoal
Imagem do livro de Marcos Bagno: www.google.com.br



sábado, 14 de março de 2015

NECESSIDADE QUE VIROU PAIXÃO

A INCRÍVEL HISTÓRIA DE UMA MULHER QUE DESDE OS SEIS ANOS DE IDADE TRABALHA DENTRO DO MERCADO DE SÃO JOSÉ

Marli Sales - dona do boxe 73 no Mercado de São José
O Mercado de São José é um dos mais antigos do país. Fundado em sete de setembro de 1875, está sitiado no bairro de São José, na cidade do Recife, capital pernambucana. Além de produtos alimentícios, roupas, utensílios para casa e produtos religiosos, o Mercado esconde segredos que nem sempre chega aos olhos e ouvidos dos turistas e moradores que visitam o local. 
A emocionante história de vida de Marli Sales, de 46 anos, nos chama a atenção e, desperta a curiosidade de quem para e ouve o seu comovente relato. 
Filha mais nova de uma família de dez irmãos, começou acompanhar os pais quando tinha apenas seis anos de idade. Eles vendiam frango para os comerciantes da área. Algum tempo depois, a família conseguiu a concessão de um box e além de frango, passaram a  negociar outros produtos alimentícios.
A necessidade dos seus pais em manter o local e dele tirar o sustento da numerosa família, nem sempre agradou Marli. “Durante a adolecência pensava que pudesse existir outros meios para prover o nosso sustento. Queria me libertar desse lugar”.
Mesmo em busca dessa tal liberdade, Marli aproveitou sua adolescência para fazer cursos de aprimoramento na área comercial, visando melhorar os negócios da família.

“Hoje eu digo que o 
Mercado de São José 
é a minha vida”

Hoje, a família possui três boxes, sendo que um deles é em comum acordo com os demais irmãos, os outros dois é agora de propriedade da própria Marli.
 Consciente que tudo o que possui hoje, fora graças ao trabalho de seus pais e consequentemente o seu também, a comerciante declara. “Hoje eu digo que o Mercado de São José é a minha vida. Não consigo me ver trabalhando em outro lugar”. Talvez por isso, seja possível encontra-la todos os dias no Mercado de São José.
De domingo a domingo. A jornada é grande, porém incansável. No dia em que não pode ir ao local de trabalho, Marli liga e procura saber como estão as coisas sem a sua presença. “Passo o tempo todo aqui. Minha casa só vou para dormir”, confessa orgulhosa.
O amor que hoje sente pelo seu trabalho e pelo Mercado, a fez lutar por melhorias para o recinto. Criou com a ajuda de um pequeno grupo de comerciantes a Associação dos Locatários Internos do Mercado de São José, da qual já fora presidente.
Um dos principais objetivos da Associação era lutar por melhorias do ambiente de trabalho, bem como conscientizar a população de que o Mercado tem também um valor cultural de extrema relevância para a sociedade pernambucana. Outras conquistas conseguidas pela Associação foram fundamentais para apresentar o lugar como um dos principais pontos turísticos da região: padronização dos boxes; funcionários fardados; banheiros para deficientes físicos; placas informativas em quatro idiomas, dentre outras melhorias; bem como a criação do Espaço da Cultura Popular que serve para orientar os turistas e que visitam o Mercado.
 Desde o momento em que descobrira seu amor pelo Mercado de São José, a comerciante Marli Sales sente-se feliz e confessa não sentir vontade de sair mais de lá.


Reportagem e Foto: Vanusa Lima

quinta-feira, 6 de março de 2014

Palestra - Gestão e Produção Cultural - Uma Síntese ao Grupo Galpão e ao Galpão Cine Horto

A jornalista e estudante de cinema, Vanusa Lima fará uma palestra no próximo dia 20/03 às 19h no Espaço Pasárgada, na Rua da União, 263 - Recife, por trás do prédio da Fundarpe.
A proposta da palestra é falar sobre Gestão e Produção Cultural, conteúdo este que fora adquirido após dez dias convivendo com os gestores do Grupo Galpão e do Galpão Cine Horto em Belo Horizonte - MG. 
A experiência vivenciada dentro desse conceituado Grupo, rendeu-lhe um aprendizado no qual agora ela vai repartir com todos os inscritos para a palestra. Abordando diretrizes e apontando falhas e soluções para os problemas que podem surgir antes, durante e até após uma produção, seja ela de pequeno, médio ou grande porte.

Últimas vagas!!!

A inscrição é GRATUITA e os interessados devem encaminhar um email até o próximo dia 17/03/2014 constando nome completo, profissão e telefone para: inscricoes.palestras.ocaso@gmail.com

Data: 20/03/2014
Horário: das 19h às 21h
Local: Espaço Pasárgada - Rua da União, 263, Centro - Recife
Ponto de Referência: por trás do prédio da Fundarpe.
Informações: (81) 3184-3165


sábado, 19 de janeiro de 2013

Tupanatinga e Vertentes em Pernambuco - Hora de Prestar Contas ao TCE

Fraudes foram descobertas nas prefeituras de Tupanatinga e Vertentes: de funcionários fantasmas à servidores ganhando mais que um Ministro do Supremo Tribunal Federal. Os auditores encontraram de tudo

O TCE - Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco encontrou irregularidades nas contas das prefeituras de Tupanatinga e de Vertentes no período que compreende janeiro de 2009 e maio de 2010. Os auditores encontraram indícios de fraudes na folha de pagamento das referidas cidades.

Em Tupanatinga, o conselheiro Romário Dias, responsável pela audição nas contas do município, relatou que encontrou seguintes erros elencados: 11 servidores apresentados na folha de pagamento do município têm o CPF de outros;  145 funcionários têm pelo menos dois vínculos remunerados dentro do serviço público municipal; 33 dos 145 servidores têm três ou mais vínculos remunerados; 01 servidor com remuneração superior ao salário do Ministro do Supremo Tribunal Federal, que sofreu aumento considerável em janeiro deste, passando de R$ 26.723,13 para um montande de R$ 28.059,29, ou seja, maior até mesmo que o próprio salário do prefeito; 01 servidor com idade superior aos 90 anos de idade.


Em Vertente a situação não diferencia muito de Tupanatinga não, nessa cidade, o conselheiro João Campos encontrou irregularidades semelhamentes, porém com um discaramento ainda maior, a auditoria detectou o pagamento a pessoas já falecidas; servidores domiciliados em outros estados da federação; funcionários com CPF inválido ou inexistente e, professores com remuneração inferior ao piso salarial, alguns recebendo menos de um salário mínimo, dentre outras tantas irregularidades, como a admissão de servidores durante o período eleitoral e pessoal com idade inferior a dezoito anos e superior a setenta.

Manoel Tomé e Romero Leal, prefeitos de Tupanatinga e Vertentes, respectivamente, foram notificados e puderam apresentar defesa, no entanto o que foi apresentado pelos administradores municipais, foi considerado insuficiente para mudar a situação dos prefeitos, bem como a determinação do julgamento pela auditoria, que até o presente momento mantém a determinação de suspensão cautelar dos pagamentos feitos sem a base legal, como prevista em lei.

Edição: Vanusa Lima



quinta-feira, 13 de setembro de 2012

TUPANATINGA: NOVO ESCÂNDALO NA CIDADE - CISTERNAS DO GOVERNO FEDERAL VIRAM “MOEDA DE TROCA” POR VOTOS.

Todo ano de eleição é comum assistirmos aos escândalos provocados pelos candidatos, que buscam a todo custo uma vitória ou reeleição nas urnas. A compra de votos é uma prática abusiva, mas lamentavelmente ainda existente. Nas eleições desse ano, essa técnica está ainda mais vexatória, candidatos oferecem de tudo em troca de alguns votos. A "moeda" em questão atende por muitos nomes: telhas, cimento, remédio, tijolos, camisas, bonés, ate reais e muito mais, a imaginação e criatividade também "ajudam" o candidato na hora da negociação pela “garantia” do voto.
No entanto, essa triste prática ilegal e abusiva, não foge à regra dos prefeituráveis na maioria das cidades interioranas, onde a população é além de tudo, menos informada de seus direitos e deveres; onde também acreditam "ingenuamente" que estão se beneficiando ao aceitar trocar seu voto seja á por qual moeda for. É o que está acontecendo em Tupanatinga, no agreste de Pernambuco. No entanto, nessa cidade, a "moeda" atende pelo nome de cisterna, e pior ainda, foram doadas pelo Governo Federal.

O prefeiturável Manoel Tomé, candidato à reeleição na cidade, está sendo acusado pela população local de usar as Cisternas doadas pelo Governo Federal como “Moeda de Troca” por votos dos cidadãos tupanatinguenses. Alguns moradores da localidade, indignados com a postura do candidato, fizeram um vídeo e postaram nas redes sociais, onde é possível observar que integrantes da campanha eleitoral ligados ao Manoel Tomé, estão acompanhando as entregas das referidas cisternas, utilizando o período de eleição e uma das ações do Governo Federal para angariar votos dos cidadãos menos informados, que desconhecem a origem das cisternas e acreditam que de fato tenha sido a prefeitura local quem as comprou.

o vídeo pode ser assistido no link: http://youtu.be/SAVS4DUJ7pk
Essa ação é totalmente proibida pelo Tribunal Regional Eleitoral, nenhum prefeiturável pode utilizar de certos benefícios, deles ou de outrem, como ações do Governo Federal, em prol de benefício de campanha, exceto, quando as mesmas são promovidas de acordo com o regimento do TRE. Segundo informações de uma fonte que prefere não se identificar, já está ciente do ocorrido e está tomando as providências cabíveis, que numa ação drástica, pode até resultar no afastamento do prefeiturável, impedindo-o de seguir com sua campanha, até ao pagamento de multa. “Isso é uma falta de respeito para com a população local e mais ainda, é tentar fazer o cidadão de bobo. Aproveitando-se da inocência de uma maioria, e ainda, usufruindo o que de direito é do Governo Federal, os créditos, pela benfeitoria”. Disse a minha fonte, em desabafo.

Foto: Genival Galego do estúdio Elshaday
As 1.436 cisternas que a cidade de Tupanatinga vai receber ainda em 2012, fazem parte de um das ações do Governo Federal em combate à seca. O Programa Água Para Todos que integra o plano Brasil Sem Miséria. Já foram entregues na cidade 536 cisternas, restando ainda, 500 unidades. O Programa que é coordenado pelo Ministério da Integração Nacional, tem a empresa Codevasf como responsável pela entrega e instalação das mesmas. As famílias beneficiadas, antes de receberem as cisternas, passaram por uma capacitação, onde aprenderam desde a instalação, manutenção, limpeza e tratamento da água armazenada.

Fontes:
Ministério da Integração: www.integracao.gov.br 
           Governo Federal: www.brasil.gov.br
           Blog Buíque e Cia:  http://buiqueecia.blogspot.com.br

Vanusa Lima

Em Nota: Não conseguimos entrar en contato com a prefeitura do Município de Tupanatinga, para que o então candidato Manoel Tomé manifestasse sobre as acusações que pesam sobre ele.

terça-feira, 10 de julho de 2012

PRONATEC COPA - OPORTUNIDADE DE TRABALHO PARA OS BRASILEIROS


A qualifiação profissional é sem dúvida, uma das metas do governo brasileiro que visa qualificar jovens e adultos, capacitando-os para desafios profissionais. E claro, uma dessas oportunidades não deveria passar desapercebida, é na verdade uma preparação para um futuro bem próximo, e o motivo? Bem, esse é ainda mais conhecido da população: a Copa do Mundo da FIFA de 2014.


Isso mesmo, esse evento de importante significância para todo o país, trará consigo a garantia mesmo que provisória, de vários campos de trabalhos e, evidentemente, a procura por mão-de-obra qualificada também é notória. Sendo assim, os ministérios da Educação e do Turismo, uniram-se para promoverem o Pronatec ao segmento turístico, visando principalmente o bom atendimento ao turista que estará aqui no Brasil, prestigiando esse mega evento futebolístico.
Ao todo serão contemplados 240 mil profissionais, sendo 40 mil vagas oferecidas por semestre e serão realizadas através do Pronatec Copa, que vai capacitar também quem já trabalha com o turismo, oferecendo cursos de idiomas em Inglês e Espanhol. As aulas acontecerão em diversas unidades do Senac; Sesc; Sesi e Senai e demais Instituições Federais de Educação Profissional.
Além dos idiomas, os interessados terão 29 atividades ligadas ao receptivo turístico, e todos com um diferencial: o curso em Libras.
Os alunos receberão um auxílio para custear transporte e alimentação durante todo o curso.
As vagas já estão abertas, desde o dia 29 de junho e o objetivo são as doze cidades que sediarão a Copa 2014, além de cidades vizinhas. Os interessados encontrarão cursos em diferentes categorias, como: Agente de Informações Turísticas; Agente de Viagens; Atendente de Lanchonete;  Auxiliar em Serviços de Hospedagem; Auxiliar de Confeitaria; Sommelier; Bartender; Auxiliar de Garçom; Recepcionista de Eventos; Organizador de Eventos, dentre outros.
As inscrições encerram-se no próximo dia 16 de julho e devem ser feitas apenas pela internet através do site do Pronatec Copa, ou clique no link abaixo:



Fonte: site do Pronatec Copa
Edição: Vanusa Lima 

segunda-feira, 19 de março de 2012

O Retorno após quase vinte anos

Junior Mendes - Nova promessa no cenário cultural pernambucano

                                                                                                                      Arquivo Pessoal
 O locutor de rádio, produtor executivo, escritor, técnico em edificações e acadêmico em direito Junior Mendes é a mais nova promessa do cenário cultural pernambucano, isso porque o rapaz esteve afastado da cena por algum tempo, e agora prepara-se para regressar em grande estilo.

Idelizador do 1o. Festival de Teatro do Paulista, quando tinha apenas 18 anos, foi criticado e desacreditado pela própria família que ressentia que o jovem, ousado e sonhador, largasse os estudos para seguir por caminhos incertos: o das artes.
Não apenas provou para a família que o que desejara não era sonho, e sim, concretização. Como também, no mesmo ano, não apenas passou na escola em que estudara, como foi aprovado na escola Técnica Estadual, mostrando com isso, que suas afinidades com as artes em nada prejudicaria seus estudos.
Mas, infelizmente acabou seguindo por outros caminhos, como desejara a família, dedicando-se apenas aos estudos.
Hoje, alguns anos depois, ele promete voltar em grande estilo: ainda para 2012 Junior Mendes irá montar a peça teatral, de sua própria autoria: A Família, que conta com a participação de doze excelentes artistas e mais cinco pessoas que compõem a equipe técnica; uma exposição fotográfica; o lançamento de dois livros e uma montagem de uma das peças de Nelson Rodrigues.
Entre o segundo semestre de 2012 e o início de 2013, ele pretende dar início as filmagens de três documentários e uma microssérie. É o que ele contou em entrevista cedida à repórter Priscylla Ingrend da Tv Tabocas, afiliada da Tv Nova Nordeste no dia 16 de fevereiro, e me confirma em entrevista exclusiva, que vocês podem conferir logo à seguir.

Vanusa Lima: Você passou algum tempo afastado do cenário cultural pernambucano. Como você ver esse retorno e o que você pretende fazer de fato para marcar sua volta?
Junior Mendes: Vejo que agora Pernambuco está acreditando melhor em seus talentos. É o caso do engrandecimento de Ipojuca e a "revolução" que está acontecendo em Goiana. É também a interiorização da cultura em nosso estado. Pernambuco tem tudo para dar certo. Bastam políticas sérias que pensem no bem estar da população. Passei algum tempo afastado das arte sim, mas não totalmente. Após idealizar o Festival de Teatro em Paulista, em 1992, eu me dediquei aos estudos das edificações pela Escola Técnica. Porém, em 1998, eu idealizei um projeto que tem tudo haver com cultura e educação, qual apresentei à antiga EMTU, bem como ao Gabinete do Palácio do Campo das Princesas. Na época, o Governador do estado era o falecido Miguel Arraes e o seu Secretário da Fazenda, era o seu neto, o atual Governador de Pernambuco, Eduardo Campos. Diante disso, iremos reapresentar o mesmo projeto, sendo que melhorado para a contemporaneidade. Espero aprová-lo agora. Deixei novamente de lado as artes para me dedicar novamente aos estudos, sendo que agora, em nível universitário. Em 2002, ingressei para o curso de Ciências da Computação, pela Faculdade dos Guararapes. Já em 2008, ingressei no curso de Engenharia de telecomunicações, pela Faculdade Maurício de Nassau. Em 2009 retornei às artes com dois projetos. Um deles é o Thokas do Som, que será reapresentado tanto ao Governo do Estado ainda em 2012, como para as prefeituras envolvidas. Já em 2011, ingressei no mundo do Direito, pela Universidade Católica de Pernambuco. Os demais projetos que estou me envolvendo em 2012, são os que te contei agora pouco.   
Vanusa Lima: Um porjeto que agrega outras prefeituras. Você pode citá-las?
Junior Mendes: Sim, claro. O Thokas do Som é um porjeto idealizado a partir dos programas de rádio, onde eu o denominei de rádio sobre os palcos e será levado a algumas cidades do interior do estado: Petrolina, Goiana, Palmares, Garanhuns, Tupantinga, Arcoverde, dentre outras.
Vanusa Lima: A peça A Família foi você quem escreveu, e finalizou-a há pouco tempo. Em que consiste o enredo da peça e quais suas espectativas com relação a ela?
Junior Mendes: Consiste na relação de uma família de interior de Pernambuco. Trata sobre os problemas familiares, com um olhar cômico, onde poderemos observar que o que acontece conosco dentre de casa tem o seu lado ilário, porém não conseguimos nos desvincular de todos os problemas, para observar melhor. As expectativas é a reflexão sobre nós mesmos e sobre a nossa relação para com os entes queridos, participantes de nossa família. No que tange família, entenda-se do conceito grego, onde fazia parte da família, todos os consanguineos e os por consideração. A iluminação será específica e também ampla. As cores de cenário e figurino serão vivas. A peça está enredada em 1842. No entando, vale salientar que na peça existe a ausência de palavrões ou insinuações pornográficas, tendo em vista que pretendo mostrar com essa peça, que é possível fazer humor sem fazer apelações do tipo.
Vanusa Lima: Você também falou de uma possível montagem de uma das peças do polêmico Nelson Rodrigues, que aliás, também era pernambucano. Você já pode adiatar algo sobre essa montagem ou ainda está em estudo?
Junior Mendes: A peça Senhora dos Afogados trata de relações de incesto, morte, violência e trama dentro de um drama familiar e mítico. A iluminação será específica. Já as cores serão vivas retratando a época de 1947, ano em que foi escrita por Nelson Rodrigues.
Vanusa Lima: Com relação aos demais projetos: a exposição, os livros, os documentário e a microssérie, você já pode nos adiantar mais informações sobre eles?
Junior Mendes: A exposição ocorrerá em Recife e tende a fazer com que os adolescentes a partir de 14 anos, possam refletir sobre sua própria língua: a portuguesa abrasileirada. Tanto no modo conotativo como no seu modo denotativo. Um dos livros é um romance policial e o outro é um romance infanto-juvenil. Os documentários, o primeiro é sobre a cultura de Pernambuco em si. O segundo sobre um escritor recifense e será gravado em Recife mesmo. Já o segundo é sobre um escritor vitoriense e será gravado em sua cidade de origem, Vitória de Santo Antão. A microssérie é sobre o relacionamento familiar e também aborda as drogas, violência e sexo na adolescência, dramas do cotidiano.
Vanusa Lima: Você me falou que existe um grupo entre atores e equipe técnica que estão sempre com você, pelo menos na maioria dos projetos. Quem são esses artistas? E qual a relevância desse grupo para seus projetos?
Junior Mendes: São atores pernambucanos e não gostaria de citar nomes agora por receio de esquecer de alguns. O nome de cada um poderá ser conferido na ficha técnica de cada projeto que eu participar e farei o máximo para que eles apareçam. Sem eles, os projetos não seriam realidade. Só posso adiantar que são talentosos - pude ver isso de perto - e que todos possuem grandes bagagens. São tão relevantes que, pretendo formar um grupo coeso, com a participação efetiva de todos os doze atores e os cinco técnicos.
Vanusa Lima: Alguns anos afastado, isso te assusta? O que você espera desse retorno e das pessoas que estão com você?
Junior Mendes: Não. Esse tempo não me assusta em nada e só espero dedicação para o que pretendemos fazer.
Vanusa Lima: Certa vez você afirmou que só trabalhava com pessoas de quem você gosta realmente. Você ainda mantém a mesma opinião? Em que isso te atrapalha ou te favorece? E por que somente com pessoas que você tem afinidade? Acredita que se for ao contrário, seu empenho em determinado trabalho não será válido?
Junior Mendes: Disse e continuo mantendo. Só trabalho onde gosto, com o que gosto e com quem gosto. Uma vez ou outra isso já me atrapalhou e em 2009, eu tive que escolher e deixei o cargo de Consultor Técnico de Infra-estrutura, na Engenharia da Regional da Claro Nordeste e a minha ex-chefe não entendeu minha posição. Alguns dizem que eu "chutei o pau da barraca", outros dizem que ela ficou "bufando" de raiva e chamou muitos palavrões. Eu nunca mais voltei lá para conferir.
Vanusa Lima: Junior Mendes por Junior Mendes. Quem é ele?
Junior Mendes: Não gosto de falar de mim nem da minha vida pessoal.
Vanusa Lima: Você já me falou de seu passado, de sua volta e de seus projetos. Que tal agora você me falar sobre a cultura pernambucana. O que está sendo feito, na sua concepção, para que seja possível abrir espaço para pessoas, que como você, estão retornando ou, aquelas que querem começar nesse âmbito cultural?
Junior Mendes: Mais eficiência dos órgão públicos em relação a cultura. Mais seriedade, mais formação. Isso está faltando muito. Os recursos ainda são muito pouco e, menos ainda se, comparados aos investimentos em outras áreas.
Vanusa Lima: Você me falou que desde cedo já escrevia, sempre gostou de escrever. Agora há pouco por exemplo, você terminou de escrever um romance policial. Já tem uma peça teatral finalizada e outras obras encaminhadas. Mas, você também conta que não é muito fã da leitura. Como você explica esse seu lado paradoxo? Ele está atrelado em tudo na sua vida ou só no que consiste ler e escrever?
Junior Mendes: Tudo na vida é paradoxo. Realmente gosto de escrever. Peça, no gênero comédia por exemplo, existe a perspectiva da trilogia de A Família. Já peça, no gênero drama existem também mais 3, todas sobre mitos. A única que não é minha e participarei é a de Nelson. 7 é um bom número. Em termos de peça encerrarei por aí. Livros existem a perspectiva de 12 obras. O primeiro já vai ser lançado, seu nome, Justosinjustos.
Vanusa Lima: Quer falar sobre ele?
Junior Mendes: Apenas um pequeno release. É sobre um triângulo amoroso entre jovens e um acontecimento trágico entre eles, um dos jovens é assassinado e o outro acusado de matá-lo. De ante mão adianto que esse jovem não é o assassino, mas é preso e acusado como tal. O enredo se passa numa cidade do interior de Pernambuco e as histórias são muito interessantes. Aguardem para conferir.
Vanusa Lima: O campo político para a área cultural está ascendendo aqui no estado, no entanto, sabemos que ainda existe uma certa "desorganização" de algumas entidades, beneficiando pricipalmente aqueles que já estão aí no mercado há bastante tempo. Você vê esse parâmetro como obstáculo para seu retorno?
Junior Mendes: Não, mas a política não está descartada, se for para melhorar a cultura. Prezo por um slogan: "Pelo direito a cultura e, pela cultura do direito! Sempre!".
Vanusa Lima: Alguns anos atrás sua família desaprovava sua escolha. Hoje, você é casado e tem três filhos. Tua esposa e teus filhos te apoiam, ou a história se repete?
Junior Mendes: Há coisas que não mudam. Minha mãe por exemplo, continua pensando o mesmo e só me apoiará quando as coisas se concretizarem de fato. Ela tem a visão que trabalho é aquele que você bate cartão todo dia e tem hora para almoço. Aquele que você tem que pegar condução para chegar lá e que sempre tem um chefe te esperando. Coisas da Amara. Já meus filhos e minha mulher acreditam sim que os projetos possam deixar de ser projetos e se tornarem realidade.

Junior Mendes terminou a entrevista deixando para todos nós que a acompanhamos, uma lição de perseverança. "Não devemos desistir de nossos ideais, mesmo que eles pareçam impossíveis, afinal, vale lembrar que tudo é possível nessa vida, basta que acreditemos e que façamos por onde", concluiu.

 Vanusa Lima da Redação da Ocaso Produções, Recife - PE